quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

E essa saudade que arde no peito.

Não, não é para doer. E de fato não dói, não fisicamente. É só um vazio, uma ausência, uma saudade. Uma palavra que falta. Um silêncio. Eu não esperei nada, eu não espero nada. Você foi o acontecimento mais improvável da minha vida e acredito que tudo que tinhamos de viver, vivemos. Intensamente, de forma quase insana, em poucas horas.
Sei que não é certo, mas meu pensamento tem me enlouquecido. Fico lembrando, relembrando, imaginando e repetindo para mim a mesma pergunta.
E prefiro que seja assim. Quero permanecer com a sensação do que poderia ter acontecido... se um dia voltarmos a nos encontrar, talvez nem seja a mesma coisa.
E só me dói a partida...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Essa tal Felicidade...

Por que o tempo voa quando a felicidade chega? Há tempos não me sentia tão leve. Será então que estou pronta para finalmente me apaixonar?
Eu acho que me apaixonei, na verdade, por cada dia que vivi em Florianópolis. Por cada pedacinho que me foi deixado. Pela intensidade do momento.
Jamais vai ser como foi. As lembranças são as que mais me fazem sorrir. E eu não mudaria nada se voltasse no tempo. Seria exatamente como foi.
Se eu pudesse dizer a todas as pessoas que conheci lá, o quanto ela são queridas, o quanto foi bom cada palavra trocada, abraços, sorrisos...
Parece que passa um filme a cada instante, algumas delas jamais reencontrarei, não que eu não queira, mas a vida prega um monte de peças e as vezes quem mais queriamos que estivesse novamente presente, jamais estará. Mas fica o pedacinho deixado, o beijo selado, o abraço de despedida. Fica a vontade de ter ficado mais e a imaginação como teria sido se não fosse daquele jeito.

domingo, 25 de julho de 2010

Starry, Starry night

“…Now I understand

What you tried to say to me

And how you suffered for your sanity

And how you tried to set them free

They would not listen

They did not know how

Perhaps they'll listen now

For they could not love you

But still your love was true

And when no hope was left inside

On that starry, starry night

You took your life as lovers often do

But I could have told you Vincent

This world was never meant for one as beautiful as you…”



Don McLean

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Momento político

Hoje eu estava no twitter quando Marcelo Tas (considerado por mim um dos caras mais inteligentes da TV brasileira) postou algo sobre a desculpa da Dilma Rousseff, candidata à presidência pelo PT, em que ela não poderia comparecer aos debates da TV devido problemas em sua agenda. Eu, que entendo pouco de política e nem gosto de falar de política postei a seguinte frase: Nenhuma agenda é tão importante quanto um debate na Tv. A Dilma tem muito a esconder, e provavelmente teria tudo exposto. É medo.” Minha opinião clara sobre algo que é real. Todos nós sabemos quem são os candidatos, não adianta tapar o sol com a peneira, acho que o brasileiro está cansando de se enganado. Equívoco dizer que o debate na TV não é importante. Segundo estatísticas do IBGE (2008), cerca de 175 milhões (ou 92,4%) de pessoas com 14 anos ou mais tem o hábito de assistir televisão e 75,2 milhões (42,9%) o faziam por mais de três horas diárias. A TV é a maneira mais fácil de divulgar, expor, informar e influenciar alguém. Portanto, considerado o veículo de informação mais importante, juntamente com a internet, para um candidato que vai ser votado pelo povo. Como já disse, não entendo de política, não discuto política, mas a Dilma não é a candidata em quem eu votaria, respeito quem vota. E com as palavras de Marcelo Tas: “Não voto em quem foge de debate livre.” Mas este não é meu único motivo, mas não preciso ficar expondo motivos. Só queria dizer que odeio ir de quatro em quatro anos as urnas e perceber que nada mudou. Que os candidatos são os mesmos, cada um querendo garantir o seu emprego de deputado, prefeito, governador, senador, vereador, presidente. E durante o tempo de mandato, nada é feito. Culpa deles? Também. Mas a culpa maior é de nós brasileiros, que apesar de muitos levarem a política a sério, muitos brincam de votar, votam no fulano de fama de cinco minutos, votam no que doa mais cestas básicas, vota naquele que garantiu o seu emprego. Fico pensando se isso um dia vai mudar. Todos os candidatos na hora da campanha apresentam boas propostas que não saem do papel. Alguém já disse para eles que o brasileiro cansou de palhaçada? Espero que a galera vote consciente. Apesar de não termos boas opções de candidatos. E assumir a responsabilidade de que votou certo ou errado.

P.S.: E agradecer ao Marcelo Tas por retwittar o que escrevi e as centenas de pessoas que concordaram e as poucas que discordaram. E asseguro que respeito às mais diversas opiniões.

Ass: Adriana

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dos meus quereres...

"...Colo que acolhe
Braço que envolve
Palavra que conforta
Silêncio que respeita
Alegria que contagia
lágrima que corre
Olhar que sacia
Amor que promove..."

Cora Coralina

sábado, 3 de julho de 2010

By this River




Here we are stuck by this river
You and I underneath a sky
That's ever falling down down down
Ever falling down

Through the day as if on an ocean
Waiting here always failing to remember
Why we came came came
I wonder why we came

You talk to me as if from a distance
And I reply with impressions chosen
From another time time time
From another time.


Brian Eno


sábado, 26 de junho de 2010

"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."



Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 16 de junho de 2010

E não é que passou rápido?


É bem verdade que o tempo passa muito rápido depois dos quinze anos, eu que o diga: Passaram-se dez anos que nem senti. Bodas de prata, 2º tiro na macaca, 1/4 de século... posso chamar do que quiser e ainda assim eu continuarei tendo feito 25 anos. Eu não lembro de ter me imaginado com tal idade, mas é que nunca fiz planos a longo prazo. Confesso que dá medo. Poxa, em cinco anos terei 30?!!!! Sabe o que é isso??? Primeiras rugas, desespero por envelhecer... ai ai... Prefiro pensar que estarei rica, viajando o mundo inteiro e no auge da minha "juventude". Afinal, 25 anos nem parece tanto, principalmente quando vc ainda tem cara de 20. hahahahha (convencida) ¬¬. Eu não tenho sentido tanto o peso, mas sinto como se tivesse aproveitado pouco do que vivi. A gente sempre acha q pode mais não é verdade?
Tenho que confessar minha felicidade, por tudo que já conquistei e por tudo que ainda vou conquistar. Pelos amigos que tenho, familia, pseudo amores e meus filhos (gatos). E queria agradecer pelos que me ligaram, mandaram msg, email, orkuts, twitter, videos, sinais de fumaça. E espero que venham mais 5, 10, 15, 25, 30, pq afinal eu quero tempo para aproveitar essa vida linda de Meu Deus. Só peço uma coisa, nada de tiro da macaca viu?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Eu nunca vou entender*


Eu nunca vou entender. Eu nunca vou saber porque a vida é assim. Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais.

Eu só sei que agora eu vou tomar um banho, vou esfregar a bucha o mais forte possível na minha pele e vou me dizer pela milésima vez que essa foi a última vez que vou ficar sem entender nada. Mas aí, daqui uns dias, você vai me ligar. Querendo pegar aquele cineminha, querendo me esconder como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse amor. Me querendo no escuro.

E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo.


*Parte do Texto "Eu nunca vou entender" extraído do livro "Tô com uma vontade de uma coisa que não sei o que é" da Tati Bernardi. (pag. 123)



sexta-feira, 21 de maio de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Complexo de Seu Lunga.

Eu acho que a tendência quando se fica velha, é se tornar cada vez mais rabugenta. Agora entendo Seu Lunga. Ser tolerante, uma hora cansa. Eu sinceramente, cansei foi cedo. Tenho sido intolerante para as mais simples coisas, eu bagunço meu quarto inteiro e depois olho e me pergunto, Pq Diabos eu baguncei meu quarto? Se algo que eu deixei em determinado local, não está, está a poucos centímentros, eu me enfureço como se tivesse perdido o prêmio da mega sena para o Bill Gates. Sei lá o que acontece. O fato é que nem tudo me parece tão bonito quanto costumava ser. Sei que nem tudo vai ser do meu jeito, e nem deve ser. Me sinto egoísta, individualista e chata. Ainda assim, devo estar no caminho certo. Pessoas legais demais se fodem com mais facilidade do que as rabugentas. Não que eu esteja achando isso vantajoso, pelo contrário, me sinto idiota as vezes. Argumento com outras pessoas, mas sei que elas estão certas quando jogam na minha cara o meu egoísmo. Seu Lunga deve ter alguma razão para tamanha intolerância, a verdade é que hoje, eu aceito pouco do que as pessoas me oferecem. Nunca estou satisfeita. Pelo menos é uma motivação para se querer algo sempre melhor.

(Estou furando uma das resoluções de ano novo)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

E mais uma sobre relacionamentos.

Um dia desses conversando com um amigo sobre relacionamentos (para variar) ele falou que corre de uma menina que diz: Você é a razão da minha vida. Curiosa, ouvi atentamente a justificativa dele, mas antes já havia concordado com tal atitude. Ora, uma pessoa que diz eu sou a razão da vida dela, no mínimo não tem amor por si mesma. Como eu posso ser a razão da vida de uma pessoa, se antes, ela nem sabia da minha existência? E antes disso? Ela não vivia? Uma pessoa não é metade de ninguém, antes de tudo ela tem que ser inteira. A maioria das pessoas na nossa vida, são passageiras, deixam apenas algo que nos acrescenta. Mas jamais será a razão de nossas vidas. É quase o mesmo que dizer que ama alguém com quem convive há poucos meses. Acho que o amor é algo tão complexo, você ama pai, mãe, amigos. Admira-os mesmo com todos os defeitos, não que não os veja, aliás, o que acho do amor é que você enxerga os defeitos tão claramente, e ainda assim, consegue se manter do lado dessas pessoas. Paixão é diferente, você está louca, todos os hormônios, dopamina, adrenalina e ocitocinina, estão em níveis tão elevados que você não consegue fazer nada com sensatez. Você mal raciocina, tudo é impulsivo demais, e ai a confusão de que paixão é amor. Estudos dizem que a paixão dura dois anos, tem uma propaganda linda sobre isso (Serenata de amor). Não é à toa que muitos relacionamentos terminam nesse período. Então, a única coisa que posso dizer, é que relacionamentos são muito complexos, mas que existem vantagens nisso.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Momento TPM.

Talvez eu tenha me tornado fria em razão das circunstâncias, questiono inúmeras vezes o porquê de se querer tanto algo que não acontece. É que tanto tempo sem estar apaixonada é meio desesperador para mim. Eu gostava da idéia de me apaixonar e ter alguém para pensar todos os dias. Pode ser que ainda não tenha encontrado a pessoa certa, o pior é não acreditar na pessoa certa. Ou pode ser que eu tenha deixado as oportunidades escorrerem pelas minhas mãos. Não sei o que de fato acontece, mas quando estou prestes a me apaixonar loucamente por alguém, eu recuo tanto, que perco completamente a vontade. Cheguei à conclusão que eu não devia pensar tanto nisso.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Ela faz cinema *

Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual

Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz

Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração
e quando o meu coração
Se inflama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim.

(Chico Buarque)

* A minha cara (risos).

sábado, 8 de maio de 2010

Nem cinco minutos guardados*.

Teus olhos querem me levar
Eu só quero que você me leve
Eu ouço as estrelas
Conspirando contra mim
Eu sei que as plantas me
Vigiam do jardim...

As luzes querem me ofuscar
Eu só quero que essa luz me cegue
Nem cinco minutos guardados dentro de cada cigarro
Não há pára-brisa pra limpar, nem vidros no teu carro

O meu corpo não quer descansar
Não há guarda-chuva (não há guarda-chuva)
Contra o amor...
O teu perfume quer me envenenar
Minha mente gira como um ventilador

A chama do teu isqueiro quer incendiar a cidade
Teus pés vão girando igual aos da porta estandarte

Tanto faz qual é a cor da sua blusa
Tanto faz a roupa que você usa
Faça calor ou faça frio
É sempre carnaval no Brasil

Eu estou no meio da rua
Você está no meio de tudo
O teu relógio quer acelerar,
Quer apressar os meus passos
Não há pára-raio contra o que vem de baixo

Tanto faz qual é a cor da sua blusa
Tanto faz a roupa que você usa
Faça calor ou faça frio
É sempre carnaval no Brasil


(Titãs)

*Essa música é a cara de quando eu tinha 12 anos. Bons tempos...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Verdade.

"Maybe I know somewhere deep in my soul
That love never lasts
And we've got to find other ways
To make it alone or keep a straight face
And I've always lived like this
Keeping a comfortable, distance
And up until now I swored to myself
That I'm content with loneliness,
Because none of it was ever worth the risk"

(The Only exception - Paramore)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Alento

Quando nada mais houver,
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.

E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do Tempo
e a minha voz à doce voz do vento.

Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir.

( Extraído do livro Caio Fernando Abreu - Caio 3D, O Essencial da Década de 1970, p.144)

domingo, 21 de março de 2010

Patético

Está ausente. Ausente como as vozes da minha infância
E muda – eu lhe dou adeus de todos os espaços
Grito o seu nome em todas as ruas - e os trens passam deixando a distância
(nas casas que dormem
Mas está muda e ausente – e os trens passam e eu grito o seu nome…

Ah, meu amor! por que a saudade está me chamando para a noite?
Sou eu, sou eu! aquele cuja alma se estende sobre a vida
Aquele cujo espírito é imenso e cujo coração é trágico
Eu, eu... E logo nada mais serei que memória e dolorosa lembrança

Teus gestos e teus olhares de profunda inocência, onde estão?
Nada se move... – há uma luz, um leito e uma lua lá longe...
Talvez eu esteja prisioneiro de um destino atroz – socorre-me!
Talvez eu esteja sofrendo um instante atroz – liberta-me!

Quero a calma, a pureza, a serenidade do teu mundo
Quero as manhãs nascendo e as tardes se pondo docemente
Não quero o horror! as convulsões, os desânimos, as lágrimas, a cólera
Quero as tuas mãos - e não as encontro no ar, no mar, no luar, no caminhar

Adormece e vem – eu sei que sou forte e belo para a vida
Sei que há um gênio inquieto na minha palavra que um dia será ouvida
Mas nesse momento quero apenas que seja tu a que sabe e a que recebe
Onde estás? – no país distante que fica ao poente ou no país presente que fica
(ao levante?…

Ausente – muda e ausente! crianças que sonham trazei-me o seu sono
Estrelas que dormem trazei-me o seu sonho. – Mas quem bateu na minha janela?
– Foi o grito dos trens partindo da tristeza de uns para a alegria de outros
– Foi o grito do além pedindo o orvalho das madrugadas para a carne dos
(infelizes…

Vinicius de Moraes

sábado, 20 de março de 2010

Nada a declarar



Uma boa dica de curta metragem. O curta é do diretor Gustavo Acioli , e retrata a elite brasileira através de um artista em estado crítico.



quarta-feira, 17 de março de 2010

Ainda bem que amanhã é outro dia.

Insônia

Parece que quanto mais se tenta se afastar, desaparecer, mas o fantasma te atormenta. Negar para si mesma não é a melhor forma de não sentir nada, pelo contrário, parece que aquela coisa que você odeia nomear, grita dentro de você. E eu só penso: Tô ferrada, tô ferrada. Preciso de uma forma de me esconder, sumir. Mas a verdade é que nem eu mesma sei ainda. E tenho medo de dizer o que é, e não ser, tenho medo de tentar e dar um chute na trave. Me deixa na minha, não me tira daqui. Posso ficar mais um pouco no meu mundo? A única certeza? Todos os outros se apagam quando você está perto, mas, por favor, Não Fica.

domingo, 14 de março de 2010

"A aurora dos que sofrem, a única aurora. Aquela mesma que eu vira um dia, mas cujo segredo não soubera revelar"
Vinicius de Moraes




sexta-feira, 5 de março de 2010

Eu e a Brisa*


Ah, se a juventude que essa brisa canta

Ficasse aqui comigo mais um pouco
Eu poderia esquecer a dor
De ser tão só
Prá ser um sonho

E aí, então, quem sabe alguém chegasse
Buscando um sonho em forma de desejo
Felicidade então prá nós seria

E depois que a tarde nos trouxesse a lua
Se o amor chegasse eu não resistiria
E a madrugada acalentaria a nossa paz

Fica, oh, brisa fica, pois talvez quem sabe
O inesperado faça uma surpresa
E traga alguém que queira te escutar
E junto a mim queira ficar...

*Obrigada Johnny Alf por esta preciosidade.



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

E afinal, o que é melhor?

Não é bobagem minha. Nem é tão fácil quanto parece ser, a gente procura mesmo por algo que não existe. O melhor pedaço de pizza, o melhor filme, a melhor canção, o melhor beijo na boca, a melhor trepada, o melhor namorado. Nada disso de verdade existe. O melhor, nem sempre é tão bom quanto parece. Porque o outro sempre vai ser melhor do que aquele que a gente já não quer mais. E mesmo que antes, tenhamos dito que era o melhor. Tô viajando na maionese. (risos). Eu tive o meu melhor carnaval, que antes desse, tiveram melhores e piores. E apesar de ter sido a perfeição, a melhor turma, a melhor casa, as melhores risadas, diversões, shows, beijos na boca... Eu voltei com a sensação de que trocaria tudo isso, por uma única coisa, um único alguém, que ainda nem conheço.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

É Hoje

A minha alegria atravessou o mar
e ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar
Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá
Eu levei !
Acredito
Acredito ser o mais valente nessa luta do rochedo com o mar
E com o ar!
É hoje o dia da alegria
É a tristeza, nem pode pensar em chegar
Diga espelho meu!
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Diga espelho meu

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Dica: Garota da Vitrine


Dias atrás assisti Garota da vitrine pela segunda vez. A primeira vez que assisti confesso que não gostei muito. Mas isto também aconteceu com um dos meus filmes preferidos, Closer, então era de se esperar que eu amasse Garota da vitrine. O filme conta a história de uma mulher, Mirabelle, dividida entre a paixão por um homem mais velho e um aspirante à músico. Não é uma história original, mas surpreende pela maneira como foi retratada. Este filme é baseado no romance A Balconista de Steve Martin (sim, aquele comediante de muitos filmes engraçados dos anos 90). Ainda não tive oportunidade de ler o romance, mas acredito que seja até melhor que o filme. Então, essa é a dica. Vale a pena ver este filme.

"Algumas noites sozinho, ele pensa nela. E algumas noites sozinha, ela pensa nele. Algumas noites estes pensamentos acontecem ao mesmo tempo, e Ray e Mirabelle estão conectados, sem mesmo saberem disso."

"...Enquanto Ray Porter observa Mirabelle indo embora, ele sente a perda. Como é possível, ele pensa, sentir saudades de uma mulher de quem ele se manteve distante, agora que ela se foi, ele não sentiria saudades dela? Só agora ele notou que queria parte dela, e não ela toda, e causou sofrimento aos dois. E agora não podia justificar suas ações, exceto que, bem...

Assim era a vida."


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

E quando a gente pensa que já viu de tudo...

Na maioria das vezes que alguém come os restos de uma pessoa desconhecida, é muitas vezes por necessidade ou fome. Estávamos eu e algumas amigas almoçando no Iguatemi, e na mesa da frente uma mulher sozinha comia uma macarronada. Após o término, ela se levantou e foi embora, deixando algumas sobras no prato. No mesmo instante, uma outra mulher, bem vestida até, sentou-se na mesma mesa, ela bem que tentou disfarçar, mas quase caiu sobre a mesa. E achando que ninguém estava vendo, comeu quase toda a sobra que a outra havia deixado. Eu e minhas amigas tentamos não rir, mas era impossível. Pensamos que ela podia estar passando fome ou algo do tipo. Mas eis que o pedido dela chega, uma refeição completa e um copo de coca-cola que ela também acabou em poucos minutos. Foi uma cena muito cômica, que contando é difícil de acreditar. Eu acho que ela viu na mesa e achou que era petisco. E eu pensei que já tinha visto muita bizarrice na minha vida...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

-Um copo de suco por favor.

No balcão do bar era a única cliente. Não importava o sabor do suco, na verdade, nada mais importante do que estar se afogando em seus pensamentos. Há dias não dormia, tinha olhos, literalmente, de ressaca, mas não iguais ao de Capitu. Resolveu isolar-se em uma mesa no canto do bar, longe dos olhares do garçom, que tentava entender o pedido inusitado às 2 da manhã. Alguns casais dançavam sem música. E ela questionou o quanto era preciso para estar ali, naquele lugar, sentindo a leveza do que é estar apaixonada. Ela não sabia, nunca soube, vivia de relações efêmeras. -Era intimidade demais acordar na mesma cama que outra pessoa. Dizia ela. Leitora assídua de Milan Kundera, construiu, sem perceber, a versão feminina de Tomas. Era fuga, ausência de algo que nunca existiu, solidão. Era dor de não ter o que sentir. Frio. Pensava nos motivos que a trouxeram até o bar. Uma vontade insconsciente de não se sentir tão só. Os cadernos todos rabiscados já não tinha espaço para tantas estórias que nunca aconteceram. Escrever foi a forma que encontrou de se envolver, embora, nada fizesse muito sentido. Queria encontrar um jeito de mudar aquela situação, achou que saindo de casa, podia ser um bom começo. O pensamento, entretanto, não permitia mais ninguém. Àquela noite, foi a primeira vez em que pensou na possibilidade de ter algum envolvimento, talvez porque dias antes conheceu alguém como ela, fugaz. Queria entender como deixou que ele entrasse em sua vida sem pedir permissão. Pela primeira vez, não sabia o que fazer, o que dizer. Pensou em ir até a casa dele e gritar tudo o que sentia, mas ela não tinha voz. Era o silêncio que gritava dentro dela. Nunca havia sentido nada parecido, como podia então ter certeza que era paixão? O dia já estava amanhecendo, quando ela resolveu ir embora. E o copo de suco, ainda pela metade, como sempre fora a vida dela, até aquele instante.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Não sou para todos...

"Gosto muito do meu mundinho, ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos,mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias."

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Aquilo menos tudo*

A gente abusa das mãos dadas no cinema, ainda mais quando chove ou faz frio. O ombro dele é meu, o meu é dele, e tudo vai bem assim já há uns bons meses. Ele faz coisas que eu curto, tipo não me deixar dirigir, enfiar o cartão na carteirinha de couro sem nem me deixar ver a conta e imitar minha compulsão pela minha franja. Eu faço coisas que ele gosta, tipo carinho na perna, servir mais vinho quando o garçom some e ficar que nem monga alongando enquanto ele corre e paquera peruas acéfalas no parque. E nada disso me enlouquece, considerando que tem semanas que ele some e eu nem mesmo percebo. Quer dizer, perceber eu percebo, mas não chego a sofrer por isso. Talvez um pouquinho, mas um pouquinho eu já sofro só de fazer a troca de ar dentro das minhas narinas. O fato é: nada até aqui é culpa ou desleixo ou abuso dele e isso possibilita nosso lindo e calmo relacionamento sem pau.
Algumas mulheres acreditam no sexo com o pau amigo, o homem limpinho que aparece de vez em quando só pra dar uma comidinha e tchau. Eu acredito no sexo com o amigo sem pau. O homem que aparece de vez em quando e te busca em casa, abre a porta do carro, elogia sua roupa, escolhe os melhores ingressos, faz você morrer de rir, conversa sobre tudo, dá conselhos, cuida de você, sobe com você até seu apartamento, curte um som, dorme de conchinha, te abraça forte e…vai embora. Isso sim é dar uma, ao meu ver. O trepar e jogar fora da mulher é se sentir amada sem ter que dar.
Pau nunca pode ser amigo, pense bem. Experimente encontrar, sem querer, seu pau amigo num jantar romântico com uma mulher. Você não gosta do cara, não quer namorar o cara, ele é mala, burro, ele é só um pau. Você só usa o cara e está super segura nesse papel. Mas só porque você e ele, juntos, dividiram um pau, algo dentro de você, ainda que pequeno (pois é) quer ir até a mesa do fulano e fazer um escândalo: ahhhhhh me comeu e agora tá com outraaaaaaaa! Como assiiiiiiim seu desgraçaaaadoooo! Se bobear dá até pra chorar de rímel borrado achando que é amor. Mulher e pau não são compatíveis. Homem é a melhor companhia do mundo, acreditem, mas o pau dele não. Pau é a desgraça humana. É o elemento descentralizador do controle da alma. É o conflito personificado numa espada de guerra. É o fim de tudo. Pau amigo é coisa de sapatona.
Enfim, mas voltando ao meu melhor amigo. Esse ser maravilhoso que mexe no meu cabelo, e paga tudo, e me elogia, e me abraça, e me aperta e vem aqui em casa sempre tão perfumado e tomamos vinho e falamos de tudo e...simplesmente não rola pau… ahhh... eu acho que vou matar esse idiota.

*Texto de Tati Bernardi extraído do blog dela (http://www.tatibernardi.com.br/) Vale a pena conferir. Tati é ótima!